segunda-feira, 28 de março de 2011

Células Tronco do Cordão Umbilical

A decisão de congelar o sangue do cordão do seu filho para poder curá-lo no futuro não é tão fácil. Se quiser, ainda antes do parto, você deve optar entre doá-lo ao banco público ou guardar no particular. No privado, paga-se caro, cerca de 4 mil reais. Mas muitos pais consideram esse um grande investimento. No entanto, há opções para famílias que não querem ou não podem desembolsar essa quantia. No banco público é de graça, mas são poucas as maternidades ligadas a ele e o estoque ainda é pequeno – o que dificulta as chances de compatibilidade caso seu filho precise.

Mas qual a razão de nos preocuparmos tanto com algo que antes era simplesmente descartado? Porque o cordão tem células-tronco que podem ajudar a tratar doenças graves de origem sanguínea, como a leucemia. Comparadas às células embrionárias, as do cordão são limitadas – enquanto as primeiras têm potencial para se transformar em diversos tipos de células e tecidos do organismo, as segundas geram apenas a espécie de que se originam, isto é, sangue. O problema das embrionárias é a discussão ética que as envolve – tem quem as considere um ser humano. Nas próximas páginas, você tira suas dúvidas para decidir o que é melhor para sua família.


1. Por que as células-tronco do cordão umbilical são especiais? 

Atualmente congela-se o sangue do cordão umbilical, que tem o mesmo potencial terapêutico da medula óssea, ou seja, trata doenças relacionadas a cânceres no sangue (onco-hematológicas). Ele é rico em células-tronco adultas e tem inúmeras vantagens de uso – inclusive estima-se que tenham substituído um terço dos transplantes de medula óssea. O processo para retir ar o sangue do cordão é indolor e não apresenta nenhum risco para a mãe ou para o bebê. Como são células novas, não foram expostas a agentes externos como radiação, poluição, infecções etc. No caso de um transplante, as chances de rejeição são menores. Também é mais fácil encontrar um doador compatível. Encontra-se uma medula óssea compatível a cada 20 mil amostras. No caso do sangue do cordão, esse número cai para um a cada 4 mil.

2. Quais doenças são curadas com a célula-tronco do sangue do cordão? 

Leucemias, linfomas, mieloma, deficiências imunológicas, anemias, doenças do metabolismo, osteoporose, entre outras. Estudos prometem a cura de diabetes tipo 1, esclerose múltipla, lesões raquimedulares, cerebrais, ósseas e articulares, doenças cardíacas (como insuficiências, infarte e de Chagas) etc. Em 2010, um estudo realizado pela Duke University, nos Estados Unidos, com crianças e bebês com paralisia cerebral sugeriu que, quando tratadas com o sangue do próprio cordão umbilical, apresentaram melhoras significativas nas habilidades motoras e de fala. No entanto, esse tipo de uso de células-tronco ainda está em teste.

3. Quanto custa congelar? 

No banco público, nada. No particular, sai caro – cerca de 4 mil reais, mais uma taxa anual de manutenção de 600 reais, em média.

4. Como funciona o banco privado? 

No banco privado, você paga uma taxa pela segurança de ter células-tronco compatíveis com a sua família. É quase como um seguro de carro: se precisar, está prevenido. Não pense que o congelamento é garantia de vida em doenças graves. Quando o mal é genético, as células do cordão também podem ser doentes. Na verdade, 90% das pessoas que possuem doenças tratáveis com o sangue do cordão não poderiam usar o seu próprio no tratamento. No entanto, segundo Lygia da Veiga Pereira, geneticista do Instituto de Biociências da USP, se uma criança descobre ter leucemia, não tem irmãos, mas o sangue do seu cordão foi estocado, ela poderia fazer um autotransplante enquanto aguarda um doador compatível. “Há diversos estudos mostrando bons resultados com esse tipo de procedimento”, diz.

O que mais acontece hoje é o uso aparentado, ou seja, entre irmãos. Ainda assim, as chances de compatibilidade são de 25%. A probabilidade de seu filho precisar desse benefício até os 20 anos é de uma para 20 mil.

5. E o banco público? 

É possível doar o sangue do cordão umbilical do seu filho para o banco público. O problema é que apenas maternidades vinculadas à rede BrasilCord realizam a coleta. Hoje, elas estão presentes em São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Fortaleza, Recife, Florianópolis e Belém. São 11 bancos públicos que existem no Brasil e este ano devem ser inaugurados mais dois, em Curitiba e Belo Horizonte. Lembre-se de que você não terá prioridade caso venha a precisar do cordão, e deverá achar um doador compatível com a criança. Como o Brasil é um país miscigenado, isso pode ser complicado. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) tem 10 mil amostras de sangue congeladas.

6. Como saber se o sangue doado é seguro? 

O sangue da mãe doadora é coletado e analisado na hora do parto e de três a seis meses depois. Se um desses exames apresentar qualquer micro-organismo transmissível pelo sangue, o cordão é incinerado. Caso contrário, vai para o banco. Nos bancos privados, é a mesma coisa: se houver problema, a amostra é descartada.

7. Eu posso doar para um banco público? 

Sim, desde que o parto seja em um dos bancos credenciados. Como se trata de saúde pública, existem regras. Para doar, a mulher precisa ter entre 18 e 36 anos, no mínimo duas consultas de pré-natal documentadas e nenhum antecedente de doenças como câncer ou anemias hereditárias. O parto não pode ser antes da 35a semana de gravidez nem o bebê deve ter peso inferior a dois quilos.

8. Devo optar pelo público ou particular?

Só você pode decidir. Analise a relação entre o custo e o benefício das duas opções. A primeira questão a considerar é a financeira. O banco privado custa caro e o público é de graça. Além disso, é preciso ver se você pode fazer o parto em uma das maternidades credenciadas pela rede pública. Se houver casos de doenças como leucemia em sua família, você pode querer uma garantia extra e optar pelo banco privado, até porque na rede pública você não tem prioridade sobre o cordão. Já se você colaborar com o banco público, aumenta os estoques de amostras. Se bastante gente fizer essa opção, vai ser mais fácil encontrar um doador compatível.

9. O sangue de um cordão basta para tratar uma doença? 

Nem sempre. Assim como no transplante de medula, recomenda-se que o paciente seja menor de 60 anos. No caso do peso, a matemática é simples: quanto mais pesado o paciente, maior o número de células-tronco necessárias e, para ter muitas células-tronco, é preciso muito sangue. O problema é que o volume sangüíneo encontrado no cordão é pequeno, atendendo a, no máximo, um adulto com cerca de 60 quilos. Se ele for maior, existem duas opções: no banco público, é possível combinar cordões compatíveis e, no privado, podem-se expandir as células-tronco no laboratório.

10. Por quanto tempo o sangue pode ficar congelado? 

O sangue de cordão mais velho que já foi descongelado, com estudos publicados, tinha 15 anos e estava intacto. Isso sugere que, se o congelamento for feito corretamente (no nitrogênio a 135ºC negativos), a expectativa é que as células-tronco continuem boas por décadas. Se isso acontecer e as pesquisas avançarem, é possível que, quando seu filho for adulto, ele seja curado de doenças como o mal de Parkinson por meio do sangue do cordão.

11. Não congelei: e agora? 

Não há razão para desespero. Caso seu filho necessite de um transplante, você pode recorrer aos bancos públicos. Também há a opção de engravidar novamente, como acontece em algumas famílias.


Fontes: Lygia da Veiga Pereira, geneticista do Instituto de Biociências da USP; Patrícia Pranke, chefe do Laboratório de Hematologia e Células-Tronco da Faculdade de Farmácia da UFRGS e fundadora do Instituto de Pesquisa com Células-Tronco de Porto Alegre; Alberto Beltrame, diretor do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde; Luis Fernando Bouzas, diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Inca e coordenador da Rede BrasilCord; Adelson Alves, hematologista e diretor da Clínica CordCell; Isolmar Schettert, diretor-médico da Clínica CordVida; Natássia Vieira, doutoranda do Centro de Estudo de Genoma Humano da USP.

fonte: Revista Crescer

Um comentário:

Aline Milanez disse...

Eu congelei o sangue do cordão da Anna..acho que é um valor alto mas que, preferimos que ele seja "dinheiro jogado fora e, que nunca precise usá-lo!" Preferimos guardar pq na família do meu marido tem histórico de doenças que o transplante de célula tronco pode curar..
Sabe que até pensei em doar mas fiquei com medo de se de repente a Anna precisasse, não conseguisse.. O interessante é que aquele sangue fica congelado pra sempre lá..claro que pra sempre se vc pagar a anuidade que nem é tão cara assim, aqui pagamos R$ 500 por ano..caro mesmo é o primeiro processo, quando o sangue é extraído do cordão lá na hora do parto..o preço é alto pq envolve um milhão de processos e de exames..Vale a pena pensar nisto com carinho!!

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